sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Hoje seriam 90

Se fosse vivo, José Saramago faria hoje 90 anos.

Uma vénia ao meu autor português favorito.

Já li um punhado de livros de Saramago, mas, sem dúvida, o meu preferido continua a ser As Intermitências da Morte.

Um livro cheio de ironias, críticas e reflexões, mas com um humor cortante e um sarcasmo brilhante.

Muito resumidamente, o livro trata sobre a ausência da Morte. Um dia, cansada de tantas queixas sobre a sua missão, a Morte decidiu que não mais mataria num determinado País.
O caos instalou-se, como será óbvio de deduzir.

Passados alguns dias, a Morte comunica que, a partir dessa data, as pessoas que fossem morrer receberiam uma informação por escrito e que teriam 7 dias para tratar dos seus assuntos pessoais, de forma a deixarem tudo tratado antes de partirem.

Até que uma dessas cartas é devolvida...

Parágrafo final:

"Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta de cor violeta. Olhou em redor como se estivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saiu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo, o fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu."

sábado, 10 de novembro de 2012

Piranhas, de Harold Robbins

É vergonhoso o tempo que passou desde a última vez que aqui foi escrita uma linha que fosse. A verdade é que, com a gravidez, aproveito todos os minutinhos para me esticar um pouco e passar "pelas brasas". As únicas coisas que tenho lido - com uma atenção relativa - são revistas: não têm um fio condutor, posso andar semanas com elas atrás sem perder a concentração, etc... - um poço sem fundo de vantagens.

Ando a ler um livro há mais de um mês e acho que não passei das primeiras páginas... sad, but true!

Mas, tentando contrariar este meu estado de letargia literária, obriguei-me recentemente a terminar um livro: Piranhas, de Harold Robbins.

Trata-se de uma obra de 1986 (thanks, Wikipedia!) e que segue um pouco a vida de Jed Stevens, um jovem meio-judeu, meio-siciliano, que a determinada altura tem de escolher entre a carreira e a família.

Como se depreende, um familiar directo de Jed é um Padrinho, sendo que o jovem Stevens tenta - a todo o custo - afastar-se daquilo que é o negócio de família, à semelhança daquilo que o seu próprio pai fez!

É um livro bastante interessante.Leiam-no se o apanharem, embora acredite que não é fácil de encontrar num escaparate. Este foi emprestado e já tinha uma idadezinha recomendável.