sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Os Jogos da Fome - Livro I, de Suzanne Collins

"Os Jogos da Fome" é um livro que comprei durante a Feira do Livro de Lisboa, mas que tem ficado na prateleira desde então.
Como as férias pediam uma literatura mais light, este menino foi dentro da minha mala. Confesso que não desgostei, apesar de saber que se trata de um livro juvenil.

Sinopse (retirada do site Wook)
Num futuro pós-apocalíptico, surge das cinzas do que foi a América do Norte Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. 
 Todos os Distritos estão obrigados a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espectáculo sangrento de combates mortais cujo lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida… 
Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um acto de extrema coragem… 
 Conseguirá Katniss conservar a sua vida e a sua humanidade? Um enredo surpreendente e personagens inesquecíveis elevam este romance de estreia da trilogia Os Jogos da Fome às mais altas esferas da ficção científica. 

Após o regresso, também já vi o filme, e, aparte, algumas liberdades criativas durante a adaptação, não está nada mau. Recomendo.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O teu rosto será o último, de João Ricardo Pedro

Há bastante tempo que o livro do vencedor do prémio Leya de 2011 me "atormentava" sempre que olhava para ele. Como se me dissesse "Tu queres ler-me... vá... não te armes em difícil..." e outros mimos do género.

Aproveitei que estava de férias e já tinha terminado um livro - que merecerá o seu espaço de crítica, ainda esta semana - e comprei "O teu rosto será o último". Li-o em 2 tardes de piscina. Um total de 6/7 horas. Prendeu-me? Creio que este tempo recorde o poderá afirmar.

Este livro prende. É simples, directo, harmonioso... no fundo, seguimos as três personagens masculinas da família Mendes. O avô, Augusto, o pai, António, e o filho, Duarte.

O avô, médico, muda-se para o interior do País, e por lá fica. António Mendes parte, duas vezes, para comissões em África. E, resta-nos, Duarte, o talentoso que abandona o seu talento, por não querer depender dele.

Numa página, Duarte é um rapazinho feliz e quando damos por nós, já tem sulcos e cabelos brancos.

Sinopse:
Tudo começa com um homem saindo de casa, armado, numa madrugada fria. Mas do que o move só saberemos quase no fim, por uma carta escrita de outro continente. Ou talvez nem aí. Parece, afinal, mais importante a história do doutor Augusto Mendes, o médico que o tratou quarenta anos antes, quando lho levaram ao consultório muito ferido. Ou do seu filho António, que fez duas comissões em África e conheceu a madrinha de guerra numa livraria. Ou mesmo do neto, Duarte, que um dia andou de bicicleta todo nu.

Através de episódios aparentemente autónomos - e tendo como ponto de partida a Revolução de 1974 -, este romance constrói a história de uma família marcada pelos longos anos de ditadura, pela repressão política, pela guerra colonial.

Duarte, cuja infância se desenrola já sob os auspícios de Abril, cresce envolto nessas memórias alheias - muitas vezes traumáticas, muitas vezes obscuras - que formam uma espécie de trama onde um qualquer segredo se esconde. Dotado de enorme talento, pianista precoce e prodigioso, afigura-se como o elemento capaz de suscitar todas as esperanças. Mas terá a sua arte essa capacidade redentora, ou revelar-se-á, ela própria, lugar propício a novos e inesperados conflitos?

(sinopse retirada do site FNAC)


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Véu Pintado, de Somerset Maugham

"Kitty sente-se prisioneira de um casamento infeliz e de um estilo de vida que está longe de ser aquele com que sempre sonhou. Sem que tivesse obtido a notoriedade social que desejava e afastada do seu país e da família devido à profissão do marido – bacteriologista destacado para Hong Kong –, a jovem acaba por encontrar algum consolo numa relação extraconjugal. Mas a traição acaba por ser descoberta pelo marido, que leva a cabo uma estranha e terrível vingança…

Em O Véu Pintado, Somerset Maugham faz, através da história do acordar espiritual da adorável e fútil Kitty Fane, uma extraordinária caracterização da presença britânica na China e apresenta-nos, como é seu apanágio, uma admirável galeria de personagens. "

(resumo retirado daqui - Site Edições Asa)

Já tinha ouvido falar tanto do livro, como do filme, mas confesso que agora que o li, perdi a vontade de ver a última versão (com Naomi Watts e Edward Norton).

Kitty é uma jovem pateta e fútil, encantada pela sua própria beleza. Até à altura em que a irmã mais nova casa, enquanto que Kitty continua a recusar pretendentes atrás de pretendentes.

Quase em desespero de causa, aceita casar - sem amor - com Walter, um jovem bacteriologista... a partir daqui, abrem-se todas as janelas para que um desastre aconteça.

domingo, 12 de agosto de 2012

A Ilha das Trevas, de José Rodrigues dos Santos

Já li uns quantos livros deste jornalista, mas nenhum que gostasse tanto como "A Ilha das Trevas". Normalmente, digo que os livros de José Rodrigues dos Santos valem, essencialmente, pelo que se aprende, pelo trabalho de investigação e pelos factos.

"A Ilha das Trevas" é diferente. José Rodrigues do Santos, neste que foi o seu 1.º romance, não caiu no "erro" de romancear personagens, nem situações e contou os factos tal como eles aconteceram. Na nota final, disse ter ficcionado alguns diálogos, mas nada que choque o leitor... são diálogos que podiam ter acontecido exactamente naqueles termos; e a não ser que José Rodrigues dos Santos fosse um ser omnipresente e omnipotente é que poderia saber os diálogos "verdadeiros".

Em "A Ilha das Trevas" acompanhamos a situação timorense desde a saída de Portugal em 1975 e consequente invasão indonésia.

Acompanhamos essencialmente um personagem... Paulino Jesus da Conceição, que logo nas primeiras linhas do romance, vai confessar-se a um padre. Estamos em 2002 e Paulino pretende confessar um crime que cometeu durante a invasão - que havia começado há mais de 20 anos.

Aí recuamos até ao dia 1 da entrada indonésia, com os militares de Jacarta a chacinarem populações, jornalistas estrangeiros... passamos pelo massacre de Santa Cruz... a prisão de Xanana, entre muitos outros episódios sobejamente conhecidos por nós, portugueses.

Confesso que ler este livro foi bastante emotivo. Recordo-me das imagens do massacre do cemitério de Santa Cruz, e das manifestações que decorreram um pouco por todo o País, de forma a pressionar as autoridades a intervirem.

Este livros fez-me arrepiar algumas vezes, devido à violência das descrições de alguns momentos de matança pura, levados a cabo pelos indonésios. Momentos que sabemos terem acontecido, mas que chocam pela crueza com que foram cometidos. Foram estes momentos que ainda hoje me provocam mal-estar quando oiço a palavra Indonésia... o passado não pode ser apagado!