segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O Tigre Branco


Se procuram uma leitura leve e agradável, não a irão encontrar nesta obra do autor indiano e jornalista do Finantial Times, Aravind Adiga.
«O Tigre Branco» é o retrato nu e cru de uma Índia onde a acentuada dicotomia entre a riqueza ostensiva e a total miséria se encontra espelhada na história de sucesso de um simples e miserável motorista e do rico senhor a quem serve e que acaba por assassinar.

A narrativa de um realismo doloroso revela-nos uma sociedade incrivelmente egoísta desprovida de sentimentos que não a ganância, oportunismo e indiferença e profundamente corrupta.

A leitura deste romance com passagens profundamente chocantes atinge o leitor mais sensível de forma violenta e por vezes inesperada.
A miséria humana despida de eufemismos onde a moralidade assume forma ambíguas desmitificando a Índia enquanto «jóia da coroa do império britânico» plena de nostalgia, beleza e poesia e misticismo.

A Imperatriz da Seda


Perito em História Oriental, e antigo conservador do Museu Guimet, José Frèches é um escritor cativante pelo modo especial de escrever sobre a China, civilização de eleição, do autor..

A Imperatriz da Seda, é uma maravilhoso romance histórico, cuja acção decorre na dinastia Tang, num período glorioso em que a seda era o maior tesouro da época.
Num misto de interesses religiosas que cruzam a religião cristã (nestorianos) e budista e políticos que unem a China, a Índia e o Tibete em aventuras sem fim para desvendar o mistério da produção deste fio precioso.

Aventura, acção, erotismo oriental e profundo exotismo, marcam esta trilogia que prende a atenção do leitor da primeira à última página, introduzindo personagens carismáticos e fascinantes e o riquíssimo mundo do Extremo Oriente.
Escusado será dizer que aconselho a sua leitura e irei comprar outras obras já publicadas do autor.

sábado, 18 de dezembro de 2010

A Rapariga com Brinco de Pérola

Griet é uma jovem holandesa, nascida no seio de uma família protestante, que depois de um acidente que cegou o pai, vê-se obrigada a servir em casa do pintor católico, Vermeer.

Tímida e trabalhadora, mas fascinada pelo ambiente artístico, pelas cores e tintas, pela criatividade, a jovem oscila entre o encanto e sedução de Vermeer e a vida puritana ao lado do filho do homem do talho.

Assediada pelo mecenas do patrão, e fugindo das más-disposições da esposa do pintor, Griet vai cumprindo obedientemente as suas tarefas. Entre essas tarefas está a mais importante: ser a "musa" de Vermeer, num quadro encomendado pelo milionário mecenas, que desta forma "possuiria" a jovem Griet.

O livro, escrito por Tracy Chevalier, é engraçado, mas está longe de ser formidável. É interessante ver as descrições de época, as vivências das famílias pobres e ricas, as situações passíveis de gerar escândalos... Contudo gostei (talvez pela parte histórica que sempre me fascina) e espero que o filme seja tão bom quanto ouvi dizer.

A edição que li é da colecção da revista 'Sábado', lançada em Março.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Daddy Long Legs

Mais um livro terminado. Desta feita foi a obra 'O Papá das Pernas Altas' de Jean Webster. A edição que li - novamente emprestada - data de 1961. Imagine-se: um livro, literalmente, mais velho do que eu.

O pobrezinho começa já a desfazer-se. Tentei não danificá-lo mais do que já estava )hehehe). Mas, em traços gerais, a história gira em torno de Jerusha Abbot (que se vai rebaptizar como Judy). Judy é uma orfã, que, através de um benfeitor do orfanato que habita, recebe uma bolsa para estudar na universidade. Esse benfeitor - que ela apenas viu uma vez - é apelidado de 'Papá das pernas altas', ajustando-se à única imagem que Judy tem dele.

A única condição que ele impõe para lhe pagar os estudo é que ela nunca tente procurá-lo e lhe escreva uma carta por mês, onde irá descrever os pormenores relativos à sua evolução académica.

Na escola, Judy conhece as suas colegas de quarto e futuras melhores amigas: Sallie e Julia. Elas convivem três anos juntas no colégio, partilhando experiências de crescimento, férias, parentes e Judy aprende o que pode ser ter uma família tanto nos aspectos positivos como negativos.

Durante o tempo de duração dos estudos, Judy escreve várias cartas ao seu 'Papá', frequentemente ilustradas por desenhos feitos pela própria... até que... descobre quem é o misterioso 'Papá das pernas altas'.

O livro é daquele tipo recomendado dos 8 aos 80 anos. Sabe bem ler em qualquer idade.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Éloge de l' amitié



Descobri Tahar Ben Jelloun há muitos anos, numas férias em Biarritz, pelas mãos de uma amiga que muito respeito pela sua imensa sabedoria, que apenas a idade e experiência poderiam aconselhar, e que vivendo longos anos em Marrocos teve o privilégio de privar com pessoas tão fascinantes como o rei Hassan II de Marrocos ou mesmo De Gaulle ou Paul Newman; foi ela que me apresentou a obra do escritor marroquino.
Desde as primeiras linhas que fiquei fascinada pelas suas descrições de Marrocos e das suas gentes, mas sobretudo pela expressão vívida dos sentimentos, algumas vezes poética, outras crua e dura, qual espelho da sua própria vida.
A beleza do seu texto, a manifestação de uma miríade de sentimentos através da palavra, cativaram-me e encantaram-me desde o primeiro minuto.
Um dos livros mais belos e que mais me fizeram reflectir foi aquele que dá título a esta reflexão: «Éloge de l'Amitié (la soudure fraternelle).
Nele encontramos uma profunda reflexão sobre a «amizade» não como conceito (que também é abordado) mas da experiência do autor, das vivências e dos seus amigos.
Uns mais do que outros, o modo como marcaram a sua vida, ou como perduraram na sua memória.

Algumas citações da obra que me fizeram pensar e repensar em muito do que pensava ser uma verdade, não absoluta claro, mas muito muito mais relativa do que alguma vez imaginara:

«L'amitié est une religion sans Dieu ni jugement dernier. Sans diable non plus.»

«L'amitié ne rend pas le malheur plus léger, mais en se faisant présence et dévouement, elle permet d'en partager le poids, et ouvre les portes de l'apaisement.»

Se puderem, leiam porque merece a pena. Entre outros «Amours sorcières», «La prière de l'absent» ou mesmo «Aux yeux baissés».

A Gárgula



Li há já algum tempo um livro cujo enredo, muito bem desenhado e envolvente, nos transporta para um mundo semi-onírico onde a realidade se confunde com relatos de vidas e personagens passadas, e se cruza com diversas vivências de uma mesma personagem. Várias histórias de amor, várias épocas, distintos locais...Será?

Romance intrigante que prende o leitor da primeira à última página, complexo e no entanto tão simples - o amor - através dos tempos, da loucura, da deformidade física, do sofrimento; algo que lembra vagamente o corcunda da «Nossa Senhora de Paris» de Victor Hugo, noutro contexto, num misto de Inferno de Dante, escritos medievais e mitos...

Estou a falar-vos evidentemente da «Gárgula»...de novelista canadiano Andrew Davidson.
Uma obra fantástica que merece toda a vossa atenção!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Cavatina


Há muitos, muitos anos li um livro que para sempre marcou a minha vida, numa cadenciada e longa espiral de sentimentos que as vivências vão acrescentando.
Este fim-de-semana reli-o e vivenciei os últimos anos da minha própria vida, reflectindo sobre a perenidade e insustentabilidade dos nossos dias.
Horácio Tavares de Carvalho, só escreveu três obras, das quais só consegui ler uma, «Cavatina».
Sob o cenário do exótico e místico Egipto, desenrola-se uma história pungente de dramatismo e de fatalismo amoroso, que podia ser a de qualquer um de nós.
Egipto país que cultiva a «eternidade» histórica dos seus ancestrais, serve de palco a um amor que perdurará eterno na memória de quem o viveu.
Deste livro guardo a memória mais preciosa sobre a vida, sobre a morte, sobre o amor e sobre a responsabilidade dos caminhos conscientes e inconsciente que trilhamos, por opção ou talvez não, sózinhos ou acompanhados.
Cavatina, pode ser tudo e nada...acima de tudo são as decisões que tomamos...


Nota: Cavatina é uma área musical, de curta duração, sem segunda parte nem repetição...

domingo, 12 de dezembro de 2010

O amante japonês


Rani Manicka é como o nome não indica, uma escritora de origem malaia. Nasceu em Terengganu na Malásia, e vive na Grã-Bretanha.

Mais uma vez do Oriente chega-nos a história de Parvathi, uma jovem oriunda da ilha de Ceilão, cujo casamento arranjado pelo pai a leva à Malásia.
Casada sem amor com um rico viúvo, a jovem vai-se adaptando à vida de casada sonhando no entanto, com um grande amor, com uma grande paixão.
Após a morte do marido e com a invasão do território, pelo Japão, durante a Segunda Guerra Mundial, torna-se amante de um general japonês para salvar a honra da enteada.
Vive a paixão e o amor que sempre ansiou, no entanto efémera, uma vez que o terminus da guerra decreta o regresso do general ao Japão e à sua família japonesa.

O romance é povoado de magia, de mitos que servem de fio condutor à história que se vai desenrolando, mais uma vez em várias décadas até ao final da vida de Parvathi.

Um relato interessante de um mundo e de um país em guerra, onde mais uma vez as dicotomias raciais desta vez, entre malaios, indianos e japoneses, marcam profundamente a sociedade malaia e a vida de todos os seus protagonistas.

Agridoce


Sem qualquer explicação nos últimos tempos as minhas leituras têm invariavelmente deambulado por autores de paragens distantes, como este que vos trago hoje da escritora Roopa Farooki, uma jovem paquistanesa que nasceu em Lahore e que cresceu em Londres.

«Agridoce» é o romance de estreia da escritora que lhe valeu em 2007 o prémio Orange Broadband Award for New Writers.

A trama deste livro transporta-nos para o Bangladesh numa saga de uma família em três gerações.
A história desta família é feita de dissimulações, enganos e segredos que percorrem as três gerações até à actualidade, para finalmente se revelarem num final surpreendente.
«Agridoce» é um relato cativante ao mesmo tempo divertido e irónico, onde amor, a ganânica, o interesse e as mentiras se dividem entre dois mundos distintos, o Bangladesh e atravessa o o mundo até Londres.

Uma leitura de facto agridoce para quem aprecia paragens longínquas, enredos intricados e desfechos inesperados.

O Vingador

Acabei de fechar o livro 'O Vingador', do autor inglês Frederick Forsyth.

(Frederick Forsyth também é autor do livro 'O Quarto Protocolo', que eu desisti de tentar ler no ano passado e que ainda não recuperei)

Este livro foi-me emprestado e com recomendações altíssimas. Basicamente, é uma daquelas tramas que parece desenvolver-se em dois tempos distintos, até que se cruzam.

Se por um lado temos a história de um jovem que para "escapar" a uma vida de trabalho em fábricas, acaba por ir parar ao Vietname, nos ano 60, e integrar uma força especial 'Os Ratos dos Túneis', por outro lado temos a história de um jovem milionário que se oferece como voluntário na guerra da Bósnia, nos anos 90.

E é aqui que tudo começa. O jovem milionário é assassinado por sérvios radicais e o avô jura que irá apanhar os assassinos do neto. Contrata então um Vingador para o ajudar. Assim, entra em cena um ex-militar, veterano do Vietname.

O tempo da narração passa-se em vários tempos, entre os anos 50/60 até 2001, onde se desenrola o "tempo real" da trama.

O livro envolve-nos de uma forma genial, e, para quem gostar de História, é nos oferecido de bandeja as "razões" da guerra da Bósnia, quase como se a vivessemos por dentro. Gostei, gostei, gostei...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Os pequenos mundos do edifício Yacoubian



Alaa El Aswany, é um escritor egípcio, nascido no Cairo na década de 50 que vive actualmente nos Estados Unidos.
O autor descreve de forma polémica e magistral a realidade nua e crua do que é ser muçulmano e árabe numa grande cidade como o Cairo, onde corrupção, droga, crime se misturam com homossexualidade, com fanatismo religioso com a pobreza e com os sonhos destruídos de cada uma das personagens.

O «edifício Yacoubian » alberga inúmeros mundos e personagens que representam estereótipos, e reflectem dramas existenciais de uma cultura que raramente compreendemos.

Dramático, pesado é uma profunda reflexão sobre uma cultura e religião diferente da nossa, mas que no básico reflecte as mesmas ansiedades, tristezas e sonhos...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Homem da Noite

Mo Hayder é, definitivamente, a autora que me tem arrebatado toda a atenção. Terminei agora mesmo outro dos livros dela: 'O Homem da Noite'.

Neste livro, à semelhança do 'Os Pássaros da Morte', o detective Caffery é a personagem principal. Vou resumir brevemente: é descoberta uma família que havia sido mantida em cativeiro por um predador sexual. A criança da família está desaparecida. Caffery está envolvido na investigação, ao mesmo tempo que vai atravessando uma pequena crise com a namorada, Rebeca, por razões do passado.

Não quero revelar muito mais da história do livro, mas posso adiantar que envolve pedofila, raptos sexuais e algum sangue... nada que eu não esperasse já de Mo Hayder.

É um livro que prende do princípio ao fim.